Na última terça-feira, saiu um anúncio que chamou muito a atenção da indústria, no caso foi a parceria estratégica da Netflix com o aclamado estúdio MAPPA, popular por séries como Jujutsu Kaisen, Chainsaw Man, Attack on Titan, Hell’s Paradise e tantos outros.
Através dessa nova colaboração, as duas empresas agora trabalharão juntas em novos projetos globais. Além disso, está confirmado que a Netflix transmitirá com exclusividade uma seleção de títulos de anime originais produzidos pela MAPPA.
Esse anúncio deixou claro que a Netflix tem dado cada vez mais importância para a exibição de animes em sua plataforma, haja vista que mais da metade dos assinantes assistem a animes no serviço, com a audiência de animes tendo triplicado nos últimos cinco anos, conforme o anúncio.
Porque a parceria pode mudar os animes para sempre?
O grande medo dos fãs com essa parceria entre a Netflix e o estúdio MAPPA está relacionado a perda de identidade criativa e cultural do anime japonês, já que a declaração deixa um forte recado sobre o “alcance global” das obras.
Quando o CEO do estúdio afirma que os animes precisam ser desenvolvidos pensando nas necessidades do público global, muitos fãs entendem que isso pode refletir um risco de ocidentalização dos animes, com histórias, personagens e ritmos moldados para agradar o público ocidental e não japonês.
Esse não é um temor sem fundamento, já que nomes importantes da indústria, como Hideaki Anno e Tomohiko Ito, diretores consagrados, já alertaram que o anime deve primeiro funcionar culturalmente no Japão, já que essa é a essência do anime, e só depois alcançar o exterior de maneira natural, sem ser algo forçado.
Outro ponto que também preocupa os fãs é o controle criativo indireto da Netflix. Ainda que a parceria dê à MAPPA mais liberdade financeira, o comunicado não especifica se não haverá interferência intelectual.
Existe também um certo histórico de desconfiança, já que muitas vezes a Netflix acaba sendo associada por adaptações “simples demais” informações excessivas e um modelo de fórmulas pensadas na retenção da audiência global.
O que acende um novo debate para os fãs de animes não é a qualidade técnica do estúdio MAPPA, que é reconhecida mundialmente, mas sim a possibilidade de que a busca por um público global, aliada ao poder da Netflix, possa gerar animes menos autênticos, mais padronizados e culturalmente diluídos.
O fato é que ainda não há motivo para alarde, apesar das dúvidas, o alcance global da Netflix não necessariamente significa uma mudança na filosofia ou na cultura que tornam os animes tão populares.
Mas, inevitavelmente, o recente desastre com a terceira temporada de One Punch-Man deixou provado o mal que o sistema de comitês de produção pode causar, logo, essa pode ser a chance da MAPPA realmente mudar a indústria de animes para sempre.


