InícioNotíciasO mangá visionário que pode virar o próximo fenômeno da Netflix

O mangá visionário que pode virar o próximo fenômeno da Netflix

Na virada do século XX, o público feminino jovem ganhava um mangá também dedicado a elas, surgia o gênero shōjo. As décadas de 1950 e 60 prepararam o caminho para a inovação criativa, permitindo que essa categoria diversificada florescesse nos anos 1980 e além. Esse gênero trouxe para o público feminino uma publicação que começou em 1953 e seguiu até 1968, estamos falando de “A Princesa e o Cavaleiro”, de Osamu Tezuka.

“A Princesa e o Cavaleiro” acabou influenciando novas produções que conquistaram o público, como Sailor Moon, A Rosa de Versalhes e Revolutionary Girl Utena. Para alegria de muitas fãs, a Netflix anunciou, em 23 de abril, um novo filme de anime inspirado no inovador mangá de Tezuka. Intitulado The Ribbon Hero, o filme está sendo dirigido por Yuki Igarashi (Star Wars: Visions) e seu estúdio, Outline. A estreia está prevista para agosto de 2026.

The Ribbon Hero
Imagem de divulgação

A Princesa e o Cavaleiro se passa em uma versão fantástica da Europa medieval, onde uma princesa chamada Safira finge ser um príncipe para herdar o trono de Silverland. O tema central da inversão de gênero por meio do travestismo remonta às peças “Como Gostais” e “Noite de Reis” de William Shakespeare, mas “A Princesa e o Cavaleiro” é uma das primeiras integrações desse tema na categoria shōjo.

Obras consagradas do gênero, como Ouran High School Host Club e Hana-Kimi, abraçaram esse recurso narrativo, desafiando a heteronormatividade e as expectativas ligadas aos papéis de gênero tradicionais. Embora o mangá de Tezuka interprete esses temas com uma clara perspectiva feminista, infelizmente ele se entrega a ideias ultrapassadas que precisam ser repensadas sob uma ótica contemporânea.

o anime The Ribbon Hero de Igarashi promete ser uma grande atração, tanto é que o diretor afirma que esta nova interpretação está sendo construída sobre um senso de reverência. “Para este filme, coloquei meu respeito por Osamu Tezuka… [e] por Ichizo Kobayashi da Takarazuka Revue, que está na raiz da obra”, disse Yuki Igarashi ao Tudum da Netflix.

Teatro musical inspirou o mangá

Takarazuka Revue refere-se à trupe japonesa de teatro musical composta exclusivamente por mulheres, que interpretam papéis masculinos e femininos desde 1914, algo inédito para a época. Essa companhia teatral serviu de inspiração para “A Princesa e o Cavaleiro”. Para dar vida a essa estética, Igarashi está contando com a colaboração de Kei Mochizuki (Fate/Grand Order, Touken Ranbu) e Mai Yoneyama (Cyberpunk: Edgerunners, Lazarus) no design de personagens e na concepção do jogo.

Em sua essência, “A Princesa e o Cavaleiro” trata da recuperação da autonomia pessoal. É uma busca por identidade dentro de uma sociedade ansiosa por encaixar os indivíduos em categorias rígidas construídas sobre falsas dicotomias. 

A autonomia de Safira é simultaneamente fortalecida e limitada, o que torna o mangá de Tezuka mais complexo do ponto de vista temático. Se o filme que está sendo adaptado pela Netflix optar por uma abordagem relativamente moderna, será necessário repensar esses momentos dos personagens, porém, como a nobre e destemida Friebe, funcionariam melhor em suas versões originais. Friebe é um exemplo promissor de uma mulher livre das amarras das expectativas de gênero. Sua natureza forte e autoconfiante contrabalança alguns dos aspectos sexistas da trajetória de Safira.

Há também um tom divertido e extravagante na obra original, que esperamos que seja mantido na adaptação da Netflix, mantendo o charme do clássico. 

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A história

No Reino da Terra de Prata, as leis determinam que os governantes sejam homens. Por isso, quando nasce a princesa Safiri, ela é anunciada por engano como um menino ao invés de uma menina e seus pais são obrigados a manter a farsa, já que na linha de sucessão existem o malvado Duque Duralumínio e seu filho, o príncipe Plástico. Com a ajuda de Náilon, o duque tenta descobrir a verdade sobre Safiri desde o nascimento dela para poder retirá-la do trono e colocar o seu próprio filho nele.

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