A indústria do anime vive um dos seus melhores momentos, conseguindo um faturamento inacreditável. Mas tanto sucesso pode ter também seus momentos de desafios. Muitos criadores estão preocupados com o avanço da tecnologia. Durante a Anime Expo 2026, muitos diretores se mostraram a favor da animação tradicional feita à mão e uma grande preocupação com o uso da inteligência artificial (IA) em futuras produções.
Um dos grandes medos de criadores, artistas e diretores é a pressa corporativa por lucros rápidos que pode levar a destruir a alma do anime. Por isso, existe uma corrente que ainda é a favor da animação tradicional feita à mão.
Por enquanto, o anime ainda não deixou de ser desenhado à mão. Para você ter uma ideia, grandes produções como Frieren e a Jornada para o Além, DanDaDan, Cyberpunk: Edgerunners 2 e Sekiro: No Defeat, ainda são animadas quadro a quadro. A diferença é que a maioria desses desenhos é criada digitalmente, em vez de no papel. Tablets substituíram as réguas de pinos (peg bars). Arquivos digitais substituíram pilhas enormes de layouts e folhas de acetato. O processo evoluiu, mas o artista não desapareceu.
Embora a maioria dos animes modernos ainda seja desenhada quadro a quadro, o processo atualmente é feito digitalmente em tablets em vez de papel.
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Criadores ressaltam valor da animação manual

Diretores e artistas de diferentes projetos, entre eles Yoshitaka Amano (ZAN) e a equipe da Science Saru responsável por Ghost in the Shell, acreditam que existe uma força única criada diretamente pelas mãos humanas.
A transição para a produção digital não eliminou essa qualidade artística, mas mudou os termos do debate. Há quem diga que as ferramentas digitais chegaram para ajudar as produções de anime e permitir que elas se tornassem mais rápidas, limpas e flexíveis. No entanto, a maioria das obras visualmente mais impressionantes foi desenhada à mão, apenas com uma caneta digital em vez do lápis tradicional.
Yoshitaka Amano afirmou que a IA só consegue criar a partir de dados existentes, sem gerar algo do nada, e que as imperfeições em trabalhos feitos à mão não são defeitos, mas sim a essência da humanidade.
O diretor do anime Ghost in the Shell, Moko-chan, revelou que a série evitou intencionalmente usar a tecnologia moderna e preferiu recorrer a técnicas de desenho manual, mas segundo ele, não foi por nostalgia, mas porque os temas da obra sobre a natureza humana exigiam que a própria animação transmitisse uma sensação humana e analógica.
Virgin Punk: Clockwork Girl, curta-metragem de 2025 dirigido por Yasuomi Umetsu, requereu 35.000 quadros finalizados desenhados à mão e mais de 100.000 esboços preliminares, deixando o processo cheio da personalidade do artista, visível em cada frame.


