Houve quem amou Attack on Titan e outros que odiaram. Talvez a violência da série possa ser um dos grandes motivos para algumas pessoas criticarem a trama. Mas quem assistiu ao anime ou leu o mangá ficou dividido em relação ao seu final, que acabou gerando polêmica. Houve fã que chegou a pedir para que o autor mudasse o final da história.
Mas parece que não é só o público que ficou incomodado com o final de Attack on Titan. O autor do mangá Hajime Isayama parece ter se arrependido por escrever o final da história. Ele acabou confessando ter um certo sentimento contraditório sobre a forma como Eren Yeager teve seu final retratado na série.
A série chama atenção por transformar Eren de protagonista fadado ao fracasso a vilão declarado. A declaração de Isayama sobre como terminou o mangá acabou despertando algumas dúvidas autorais, algo que é possível perceber em uma gravura no Museu de Attack on Titan, na cidade de Hita, província de Oita.
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A reação do autor em relação ao final de Attack on Titan

O autor de Attack on Titan chegou a dizer: “Eren se tornou um protagonista que cometeu um massacre em uma escala raramente vista em outras obras de ficção. Quanto ao motivo de eu ter concebido tal história desde o início, parte disso foi meu desejo de criar uma narrativa com uma grande reviravolta — onde a vítima se torna o perpetrador.”
“Mas um fator importante foi também a minha própria imaturidade e ingenuidade na época, quando eu tinha pouco mais de vinte anos. Esse aspecto tornou-se o cerne da personalidade de Eren, levando ao ponto em que ele confessa não como alguém forçado a fazer o mal pelas circunstâncias, mas como alguém que nutria o desejo de causar dano”.
“Contudo, Attack on Titan já não era mais exclusivamente minha obra, e Eren se tornou um personagem amado por muitos leitores. No fim, sem me comprometer totalmente a retratá-lo como uma figura detestável, acabei o retratando com certa proximidade e simpatia. Como resultado, sinto que ainda persiste um certo ar de insinceridade na conclusão da história — pelo menos na minha própria avaliação”.
Essa declaração de Isayama pode ter sofrido uma certa influência devido à reação negativa do público ao final original do mangá de Attack on Titan, considerado “apressado” por alguns fãs. Isso levou o autor a escrever oito capítulos extras, adicionados ao capítulo final. Foi uma forma dele oferecer mais contexto, aprofundando os arcos dos personagens e buscando um desfecho que fosse mais próximo do que o público desejava.
Boa parte dos fãs receberam bem esses capítulos extras. No entanto, o final estendido também criou certas controversias. Com as ações de Eren pairando sobre este capítulo final, é natural que Isayama questione os impulsos que moldaram um personagem tão icônico.
Apesar das reticências de Isayama, Eren emerge como um vilão apropriadamente complexo. A “simpatia” mencionada por Isayama é justamente a que causou profundas contradições. Eren não nasceu com a intenção de massacrar 80% da humanidade — esse desejo distorcido nasceu de uma radicalização alimentada por um trauma que fez dele uma pessoa violenta.
A tensão entre quem Eren poderia ter sido e quem ele escolheu se tornar em Attack on Titan dá à história um certo caráter dramático. Também reforça o status de Eren como um personagem bem construído. Além disso, a artificialidade mencionada por Isayama poderia ter sido amenizada com uma exploração mais brutal da decadência moral de Eren, mas isso também poderia transformar um personagem de carne e osso em um arquétipo simplista e unidimensional.


