Sempre que possível, estou assistindo a animes; além de trabalhar com isso, é um dos meus hobbys favoritos. No entanto, esses dias, ao assistir a um título bem popular, percebi que ele daria uma ótima história para construir um jogo de RPG de mesa.
A minha vontade era pegar aquele mundo já existente, adaptar as regras, estruturar melhor os sistemas, chamar os amigos e começar uma campanha. Entretanto, quanto mais eu pensava sobre isso, mais ficava claro como certos animes praticamente já funcionam como um RPG, mesmo sem serem.
Além disso, tudo fica ainda mais evidente quando lembramos que existem animes que literalmente se passam dentro de jogos ou são inspirados diretamente em mecânicas de RPG. Consequentemente, eles já têm sistemas de nível, habilidades, classes e progressão. Tanto nos elementos narrativos quanto na lógica que poderia ser traduzida quase diretamente para a mesa.
No entanto, mesmo fora desses casos mais óbvios, muitos animes constroem mundos com regras internas tão bem definidas que acabam funcionando como sistemas completos. Hierarquias de poder, limitações, evolução de personagens e consequências que criam uma base bem interessante.
Desta forma, adaptar um anime para RPG não é inventar algo do zero, é entender o que já existe, organizar em mecânicas e abrir espaço para que as missões de jogadores aconteçam dentro daquele universo.
Sendo assim, separei alguns que, na minha visão, poderiam render campanhas incríveis. Além disso, vale mencionar que, se você não viu algum desses títulos, deveria assistir, porque são sensacionais.
8. Mushoku Tensei

Mesmo com polêmicas, preciso confessar que Mushoku Tensei é um dos meus animes isekai favoritos, e o que faz funcionar tão bem como RPG é a ideia de recomeço. Rudeus não surge forte, embora já mostre força desde cedo, e vai evoluindo com treino, erros e aprendizado.
Que acaba criando a sensação clássica de campanha longa, em que cada avanço é conquistado. A presença das memórias da vida passada adiciona um elemento interessante nas decisões. É preciso lidar com as batalhas, escolhas e consequências.
Em mesa, isso acaba virando uma jornada em que o personagem cresce junto com a história. Desta forma, é o tipo de experiência que valoriza evolução e construção de personalidade.
Onde assistir: Crunchyroll
7. Delicious in Dungeon

Só de começar a assistir ao anime, nos primeiros minutos, a gente já percebe que a própria premissa já parece uma sessão acontecendo. Um grupo preso em uma dungeon, com poucos recursos, precisa improvisar para sobreviver.
A ideia de cozinhar monstros acaba transformando cada encontro em uma coisa criativa, não só combate. Senshi representa bem aquele jogador que sempre encontra soluções fora do padrão.
Além disso, as decisões são práticas o tempo todo, o que, em um RPG, incentiva interação e estratégia em vez de ações repetitivas. Sendo assim, fica com cara de campanha leve, dinâmica e cheia de momentos caóticos, criativos e divertidos.
Onde assistir: Netflix
6. The Rising of the Shield Hero

No anime do escudo, a trajetória do Naofumi encaixa perfeitamente em uma estrutura de campanha. Afinal, ele começa desacreditado, sofre rejeição e precisa reconstruir tudo aos poucos, criando um objetivo forte, que vai além de enfrentar inimigos.
A formação da party acontece de forma natural, com vínculos que vão sendo construídos ao longo do caminho. O mundo já traz elementos prontos, como níveis, habilidades e conflitos entre reinos.
Em mesa, isso facilita muito porque a base já está toda ali. Funciona como uma história que mistura progressão, política e relações entre personagens.
Onde assistir: Netflix e Crunchyroll
5. Is It Wrong to Try to Pick Up Girls in a Dungeon?

Neste caso, a evolução do Bell mostra bem aquele caminho de aventureiro iniciante, afinal, ele começa fraco, com um objetivo simples, e vai crescendo dentro de um sistema bem definido.
A dungeon de Orario serve como um cenário que acaba sempre trazendo novos desafios. Além disso, a presença das famílias e dos deuses adiciona elementos bem interessantes de conflito e interesse.
O que acaba criando um ciclo natural de jogo, em que sempre há algo a explorar ou conquistar. Pensando em RPG, isso mantém a campanha viva por muito tempo sem ficar repetitiva, pois cada avanço abre espaço para novas histórias e interações.
Onde assistir: Netflix e Crunchyroll
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4. Goblin Slayer

Goblin Slayer é perfeito para quem busca histórias mais sombrias e até brutais. Logo no começo, o anime já quebra a expectativa ao mostrar um grupo iniciante sendo eliminado por goblins, que normalmente tendem a ser inimigos simples, até mesmo em um RPG de mesa.
Sendo assim, isso acaba mudando a lógica e deixando as coisas mais sérias, em que o preparo é tão importante quanto a força; afinal, o protagonista age como um veterano que conhece cada detalhe do que enfrenta.
Ele planeja, antecipa e evita riscos desnecessários, o que, em uma mesa, cria um clima mais tenso, em que ninguém entra em combate sem pensar antes. Cada escolha tem peso e o erro pode custar caro. Funciona muito bem para campanhas mais estratégicas e pé no chão.
Onde assistir: Crunchyroll
3. Sentenced to Be a Hero

Tem uma história que foge bastante do tradicional, justamente por trazer a ideia de herói invertido de um jeito interessante, já que os personagens não lutam por vontade própria, mas porque foram condenados a isso.
A repetição de mortes e retornos acaba criando um ciclo que pesa na história tanto quanto a ação em si. O grupo liderado por Xylo lembra campanhas em que os jogadores começam presos a uma situação difícil.
No entanto, aos poucos, vão entendendo o mundo e lidando com suas próprias motivações. Só que isso, em um RPG de mesa, pode gerar conflitos bem interessantes no grupo, além disso, as decisões se complicam ainda mais.
Onde assistir: Crunchyroll
2. Re:Zero

Quando você começa a assistir Re:Zero, muitas vezes nem imagina o peso que essa história traz e como Subaru sofre em sua trajetória. A habilidade de voltar após a morte transforma tudo em uma experiência diferente.
Não é só tentar de novo; afinal, é preciso carregar o peso de tudo que já aconteceu, pois cada repetição muda a forma como as decisões são tomadas, e isso se encaixa bem em RPG como uma mecânica em que erro vira aprendizado.
Só que, ao mesmo tempo, não deixa de lado o impacto das escolhas. Em uma campanha, isso pode criar momentos bem intensos e bastante tensos, pois o jogador passa a pensar muito mais antes de agir, mesmo sabendo que pode tentar outra vez.
Onde assistir: Crunchyroll
1. Frieren: Beyond Journey’s End

Quando comentei que estava vendo um anime que me deu vontade de jogar um RPG naquele mundo, foi exatamente Frieren, uma das histórias que eu mais amo. No entanto, o foco não está na grande missão, mas no que vem depois dela.
A história trabalha memória, tempo e as conexões que ficam ao longo do caminho, já que a jornada da Frieren é mais sobre entender as pessoas do que enfrentar inimigos, embora eles apareçam ao longo do caminho.
Em um RPG, isso vira uma campanha em que cada encontro tem significado. Além disso, a obra traz personagens com pequenas histórias que ganham espaço e ajudam a construir o mundo.
Sendo assim, o que acontece durante o percurso tem um impacto bem interessante, tanto na evolução dos personagens quanto na própria narrativa, o que funciona muito bem para mesas que valorizam a história e envolvimento com o cenário.
Onde assistir: Netflix e Crunchyroll

