Transformar um mangá em anime vai muito além de dar cor e movimento aos quadros. Na verdade, trata-se de um processo de interpretação artística. Para dar vida a um mangá, é preciso planejar uma história que tenha começo, meio e fim, conhecido como roteiro/storyboard.
A história precisa estimular o leitor a atuar como coautor, preenchendo as lacunas de som e ação através da imaginação.
Produzir um anime também requer planejamento, que envolve roteiro, storyboard, design e produção. Existe necessidade de um estúdio para produzir a animação, criando personagens e cenários.
O anime, por sua vez, define a força de um soco, a magnitude da destruição e a duração de cada silêncio, ajudando o espectador a imaginar toda a história.
Quando o estúdio MAPPA decidiu produzir Jujutsu Kaisen, precisou não se limitar a traduzir sua essência, tendo que entregar mais do que uma simples transposição do mangá para o anime. Foi preciso convocar os seus maiores talentos para animar esta série.
A arte de Gege Akutami é movida por intensidade e emoções cruas, mas o anime precisou ampliar esses elementos e os transformar em uma experiência cinematográfica. Um diálogo de dois quadros pode gerar um completo desastre urbano, um breve flashback pode servir como um fechamento emocional, e uma exposição complexa pode ser contada por meio de imagens.
O estúdio conseguiu desenvolver uma ótima história, com uma qualidade excepcional, e sete cenas comprovam que o anime não foi simplesmente uma adaptação de Jujutsu Kaisen, mas sim uma versão aprimorada da obra.
Jujutsu Kaisen: Sukuna vs. Jogo — A Chama Divina de Shibuya

No mangá, o embate entre Sukuna e Jogo é relativamente breve, tudo acontece em poucos capítulos, funcionando mais como uma demonstração de poder do que como uma batalha prolongada. Mas o anime conseguiu dar uma intensidade muito grande a esse momento. Cada golpe é ampliado, cada instante de silêncio ganha peso, o Arco de Shibuya foi transformado em um espetáculo grandioso.
O anime estende a luta para um inferno que consome toda a cidade, destacando a diferença de poder entre eles. Jogo ataca Shibuya com chamas que queimam a área, e Sukuna desvia dos ataques sem esforço, corta o fogo e o domina fisicamente.
A animação apresenta o Maximum: Meteor de Jogo ganha proporções colossais: prédios se derretem e o cenário inteiro sucumbe ao calor, tornando a força real de Sukuna ainda mais aterradora.
Jujutsu Kaisen: Yuji e Nobara vs. As Pinturas da Morte

A batalha contra Eso e Kechizu foi um dos pontos altos do mangá, mas no anime tudo ainda fica muito melhor, a luta ganha vida como uma verdadeira coreografia de ação, intensa e eletrizante. Ela se estende ao longo do confronto com mais sequências de movimentos, melhor coordenação do trabalho em equipe e uma movimentação de câmera mais dinâmica.
A visualização de técnicas como Ressonância e Máximo: Rei das Asas é colorida e animada com cores vibrantes e muito movimento, tornando a batalha mais fácil de acompanhar e muito mais intensa em comparação com os quadrinhos originais.
Entre as cenas originais mais inesquecíveis do anime está aquela em que Yuji corre com Nobara nos braços pela floresta, transmitindo com intensidade a urgência da situação e evidenciando sua força física impressionante.
A Trágica Despedida de Nanami Kento

A morte de Nanami é de deixar qualquer um triste em ambas as adaptações, embora no anime haja uma continuidade da emoção ao mesclar seu sonho de aposentadoria na Malásia com o momento presente em Shibuya. Sua visão de uma vida tranquila na praia, da qual ele fala constantemente na história, é representada visualmente em seus últimos momentos lutando contra humanos mutantes.
A transição entre realidade e sonho é mais suave e simbólica do que no mangá, o que cria uma sensação de paz pouco antes de Mahito matá-lo. O anime transforma uma morte terrível em uma despedida silenciosa e emocionante.
Toji Fushiguro vs. Dagon: O Vilão Assassino no Paraíso

A entrada de Toji no domínio de Dagon foi um dos momentos mais icônicos no mangá, marcada pela surpresa e pelo impacto imediato. Mas o anime consegue transformar essa cena em puro terror. A direção do anime intensificou cada detalhe para poder transmitir a sensação de ameaça absoluta.
No mangá, a velocidade de Toji é mostrada da forma mais direta possível: ele simplesmente surge atrás das pessoas, sem explicação. Já o anime, dramatizou com perfeição a física de seus movimentos.
Choso vs. Yuji: A Batalha Sangrenta no Banheiro

Não é uma luta propriamente dita, mas são dez minutos que comprovam por que a MAPPA merece ser premiada. A luta no banheiro, no mangá, foi um confronto estratégico e equilibrado, enquanto o anime a transformou em uma luta musical ao estilo John Wick.
No mangá, a luta no banheiro entre Choso e Yuji se desenrola como um confronto estratégico e equilibrado. Já no anime, tudo ganha uma nova dimensão. Ela é transformada em um espetáculo coreografado, com ritmo e intensidade dignos de um filme de ação ao estilo John Wick.
A introdução da Visão de Sangue, na qual vemos o mundo através das lentes vermelhas de Choso, deixou absolutamente claro como ele calcula seus disparos de Sangue Perfurante. A água fluindo pelos canos rompidos se misturava aos seus movimentos, e a luta se tornou dolorosamente real.
Regras dos jogos de seleção

Quando o capítulo 146 foi lançado, muitos leitores não conseguiam entender o que Kenjaku estava fazendo. O anime resolveu esse problema do excesso de texto ao dar ao Jogo da Eliminação uma atualização holográfica e de alta tecnologia. Através do Kogane, as regras foram apresentadas com diagramas elegantes e transições suaves na interface,
usando diagramas elegantes e transições suaves na interface do usuário, e o sistema de pontos e a regra de morte por remoção de técnica deram a impressão de um jogo estratégico em vez de “o que está acontecendo aqui?”.
Através do Kogane, as regras foram apresentadas com diagramas elegantes e transições suaves na interface, transformando o sistema de pontos e a regra de morte por remoção de técnica em algo que lembrava um jogo estratégico, e não apenas uma confusão de ‘o que está acontecendo aqui?’
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Maki Zen’in contra o Clã Zen’in — O Dia do Massacre

O arco da Preparação Perfeita já era popular entre os fãs, mas foi reinventado no anime com novas camadas de intensidade e estilo. O ataque de Maki ao complexo Zen’in foi retratado no anime, com uma produção bem cuidada, mostrando sombras densas, silêncios carregados e o som cortante da espada ecoando como a arrogância sendo despedaçada.
O momento mais marcante da série foi o confronto final com Naoya Zenin. No mangá, sua técnica Projeção Sombria já impressionava pela inteligência e eficiência. No entanto, o anime conseguiu ser superior, dando uma dimensão psicodélica: animada em 24 fps, cada movimento se tornou uma experiência visual hipnótica, intensificando a velocidade e a astúcia de Naoya de forma tão impactante quanto no original.


