Anunciado como um dos maiores animes de 2025, Gachiakuta chegou com a força de um furacão. Produzido pelo lendário Studio Bones (My Hero Academia, Mob Psycho 100), a história de Rudo em um mundo brutal, onde o lixo ganha vida, conquistou o público com sua arte única, personagens cativantes e sequências de ação de tirar o fôlego.
E para a alegria dos fãs do mangá de Kei Urana, o Studio Bones tem entregado uma adaptação incrivelmente fiel. O enredo, o design dos personagens, o ritmo… tudo segue a obra original quase que quadro a quadro. É o sonho de qualquer fã que tem medo de ver sua história favorita ser descaracterizada.
Mas, em uma reviravolta bizarra e irônica, é justamente essa fidelidade quase religiosa que está se tornando o centro de uma crítica inesperada. Uma escolha artística específica, feita para homenagear o mangá, está sendo vista por muitos como uma gigantesca oportunidade perdida, um detalhe que impede o anime de se tornar a obra-prima que ele tem potencial para ser.
A arte preto e branco que divide opiniões em Gachiakuta
O centro da polêmica está em como o anime lida com as cenas de flashback. Em momentos cruciais, como no sexto episódio, quando Rudo se lembra de seu pai adotivo, Regto, a animação opta por replicar diretamente os painéis do mangá, apresentando a cena em preto e branco.
A intenção é clara: ser o mais fiel possível à arte original de Urana. O problema? O anime não é um mangá. A grande magia de uma adaptação é adicionar novas camadas à obra original através de elementos que só a animação permite, como movimento, trilha sonora e, principalmente, cor.
Ao simplesmente animar uma cena em preto e branco, a sensação que fica para muitos é de redundância. Por que assistir a algo que oferece a mesma experiência visual de simplesmente ler o mangá?
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A ironia: um anime sobre grafite que tem medo da cor
A crítica se torna ainda mais forte quando lembramos do tema central de Gachiakuta. A história é uma celebração da liberdade artística e da autoexpressão, com o grafite sendo um elemento visual e temático importantíssimo. O mundo do “Abismo” é sujo e sombrio, mas a arte dos personagens traz vida e cor a ele.
É profundamente irônico que um anime com uma identidade visual tão ligada à explosão de cores do grafite opte por remover a cor em momentos de grande carga emocional.
O estúdio poderia ter usado paletas de cores suaves, quase como aquarela, para transmitir a melancolia da lembrança, oferecendo uma interpretação única da cena. Em vez disso, escolheu o caminho seguro.
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É excesso de respeito ao mangá Gachiakuta ou falta de coragem?
Não há dúvidas de que a animação de Gachiakuta é brilhante. As cenas de luta são fluidas e o design é espetacular. Mas essa decisão de emular o preto e branco do mangá levanta uma questão: o Studio Bones está sendo respeitoso demais com a obra original, a ponto de ter medo de tomar riscos criativos?
Em um mercado concorrido, onde estúdios como o Science SARU (de Dandadan) ousam com experimentações visuais, a abordagem cautelosa de Gachiakuta pode ser o que o impede de se tornar não apenas uma boa adaptação, mas um anime verdadeiramente lendário por si só.
O Debate: Fidelidade Extrema vs. Adaptação Criativa
- O Ponto Positivo: A adaptação é extremamente fiel, o que agrada a base de fãs do mangá.
- A Crítica: Emular painéis em preto e branco torna o anime redundante em certas cenas, não adicionando uma nova camada à experiência.
- A Oportunidade Perdida: O anime poderia usar a cor de forma criativa para intensificar as emoções dos flashbacks.
- A Ironia: Uma história sobre a liberdade da arte do grafite está sendo, em alguns momentos, visualmente contida.